Skip Navigation LinksJá tenho algum dinheiro guardado. Como posso tornar possível o sonho da casa própria?

Tenho R$ 27.000,00 depositados na poupança e consigo guardar cerca de 700 reais por mês. Já tenho seis anos de empresa e hoje tenho um salário líquido de R$ 2.900,00. Meu objetivo é, daqui a dois anos, dar entrada em um apartamento de cerca de R$ 300.000,00. Pensei em contratar o CDB, mas ainda não pago imposto de renda e fiquei na dúvida quanto à tarifação neste caso. Esse sonho do apartamento próprio vai ser possível se eu continuar depositando na poupança? As parcelas do apartamento serão muito altas? É preferível juntar mais dinheiro e morar de aluguel enquanto isso? (Simone – Belo Horizonte / MG)

Simone, inicialmente, gostaria de elogiar alguns dos seus hábitos financeiros. Ter clareza em relação aos seus sonhos é um passo importante para planejar a melhor estratégia para a sua realização. Você sabe o que quer, qual o valor necessário para isso e já definiu o prazo em que pretende conquistar o seu objetivo. Independente da estratégia que venha a escolher, você já começa bem.

Você parece ter controle sobre o seu orçamento. Isso lhe permite poupar a cada mês um valor considerável, o que é essencial para alcançar a sua meta. Mantendo o mesmo esforço de poupança, você conseguirá economizar mais R$ 16.800,00 nos próximos dois anos. Nesse período, você ainda contará com mais algumas rendas adicionais, como o 13º salário e o terço adicional de férias que acumularão algo em torno de R$ 6.000,00 e R$ 2.200,00, respectivamente. Somando o valor que você já tem guardado, mais a economia mensal dos próximos dois anos e a economia da renda extra, você terá algo em torno de R$ 52.000,00, sem contar os rendimentos da aplicação deste dinheiro.

Além disso, você ainda poderá utilizar o Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FGTS) na aquisição da sua casa própria. Ele funciona como uma poupança compulsória de todo trabalhador brasileiro e seu uso na compra de um imóvel é a única possibilidade positiva para a utilização deste recurso, uma vez que a correção dos valores depositados é baixa, perdendo inclusive para a inflação. Isso quer dizer que quanto mais tempo o dinheiro ficar depositado maior será a perda. O trabalhador também pode utilizar o FGTS em caso de doença grave ou desemprego maior do que três anos.

Atualmente, contando somente com o seu emprego atual, você deve ter algo em torno de R$ 17.000,00 já depositados no FGTS e, nos próximos anos, pelo menos mais R$ 6.000,00 serão depositados, acumulando, então, mais R$ 23.000,00 que poderão ser usados na entrada para a compra da sua casa.

Considerando o valor do apartamento desejado, você precisará recorrer a um financiamento imobiliário. Por isso, sugiro que já procure uma instituição financeira para simular as condições do empréstimo. Com os valores acumulados, serão necessários cerca de R$ 225.000,00 para a compra do imóvel.

Sendo assim, é importante saber qual será o valor da parcela mensal para verificar se será possível encaixá-la no seu orçamento ou se precisará cortar alguma despesa para conseguir pagar a prestação. Lembre-se que você poderá contar, periodicamente, com os recursos do FGTS para diminuir as prestações ou o saldo devedor. Informe-se sobre esta possibilidade.

O seu desafio agora é escolher uma alternativa de investimento que lhe garanta um bom rendimento. A melhor alternativa de investimento depende de uma série de variáveis como o objetivo do investidor, o seu perfil e mesmo as condições econômicas do país. No seu caso, você tem um objetivo claro e um prazo definido para sua utilização (dois anos). Então, nesse caso, você deve buscar um pouco mais de segurança para não correr risco de perder dinheiro, pois qualquer perda significará menos dinheiro para dar entrada e a necessidade de um empréstimo maior, com uma prestação mensal maior.

Não me parece ser uma boa alternativa você guardar o seu dinheiro na caderneta de poupança, tendo em vista o seu objetivo. Essa opção tem perdido nos últimos meses para a inflação e pode ser uma tendência para os próximos meses. Isso quer dizer que todos devem sair da caderneta de poupança? Acredito que não, pois ela é o melhor investimento para algumas situações, como para alguém que está começando a guardar algum dinheiro ou para aqueles valores destinados para uma situação de emergência.

Com essas considerações, uma melhor opção é você buscar investimentos de renda fixa, ou seja, um tipo de investimento que possui uma remuneração paga em intervalos e condições preestabelecidas. Pode ser um fundo de investimento ou CDB. Em relação a sua preocupação quanto à tributação do CDB, o imposto de renda é regressivo. Isso significa, que quanto mais tempo o seu dinheiro ficar aplicado, menor será o imposto sobre os rendimentos. Em um momento econômico mais conturbado, os investimentos de renda fixa são uma boa alternativa.

Continue com os bons hábitos financeiros em 2015. Sempre invista em sua educação financeira.

A sua pergunta pode ser a próxima a ser respondida pelo consultor. Participe! Envie sua dúvida para  educacao.financeira@mercantil.com.br .​

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